terça-feira, 24 de julho de 2007

Fim de Semana no Paraíso

_O mundo parecia normal: simples e desordenado.

Estava sob um sol constante, porém que não fazia calor e nem era concentrado em uma esfera ao céu, estava espalhado por todo, fazendo então qualquer olhar voltado ao céu um encontro com a luz. Decidiu olhar à frente, e encontrou outra imensidão. Sobre seus pés o maior jardim de flores que encontraria em toda sua vida. Eram milhares, e coloridas.

_Estava alguns minutos em meu quarto. “É hora de sair deste mundo” pensei. – Quando Otto pronuncia em voz alta sua frase, seus horizontes brilham como luzes mais escurecedoras de que o sol.

Existem na vida coisas impalpáveis. Sentimentos, por exemplo: não sabemos onde compraríamos paz, mas insistimos em pagar por isso. O homem detém em seu bolso de máquinas marcadoras de preços para o mundo. Tentamos avaliar via capital cada coisa, inclusive os sensíveis. Otto não era diferente, procurava pagar pelo esquecimento da tristeza, e lhe ofereceram o caminho. Quando percebeu estava aqui, no não - tão conhecido paraíso. Era perfeito só de olhar, o mundo ali sim era belo como Éden. Belo e só seu. Seu sorriso surgiu aos poucos pelo rosto a ponto de iniciar uma gritaria sozinho, corria e pulava sobre a grama, alegremente! Levantou bruscamente e olhou novamente os horizontes, onde estava a tristeza? Além daqueles clarões ao fim da vista, com certeza. Com seu sorriso ainda, deitou-se e curtira o momento.

Após horas ali pensando que os problemas não o alcançariam, lembrou de não ter dado seu novo destino a suas vitórias. E surpreendentemente, uma garoa iniciasse em sua volta. E percebeu o mais óbvio: seu humor controlava aquele Éden de dois dias.

_Se para o dia ser feliz terei de rir, não chorarei nada para poder sentir a brisa bater sobre meu corpo.

E então sorriu o dia todo. De tudo.

Onde via plantas, ele sorriu; onde não via, também. Tornou-se um homem positivo ao longo de duas dúzias de hora. Mas as névoas se incomodam em ver alguém sorrindo, e o sol também, de ver alguém desfrutando o que não merece. Otto começou a ver que o mundo não se reconstruiria pelo seu bom humor. Observou assustado sua mente se confundir, e causar os levantamentos dos grandes pilares ao meio das terras, gravados monstros gigantes, e iniciando assim uma negra fechada de tempo junto a forte tempestade.

Tentou rir, sorrir, nada adiantava. Era tarde demais para sorrir. Era tanta felicidade que se tornava um inferno. Pedia para tirar ele mesmo seu sorriso do rosto, mas o medo não deixava, e obrigava a tentar sorrir mais e mais. Até sentar, e se tornar uma formiga sob a construção saída da terra que o intimidava com seus dentes e olhos enormes. Não iria correr, enfrentaria o seu desejo não sucedido. Procurou espadas e escudos, mas descobrira que de seu naquele momento era só o medo, e o autocontrole se tornou uma piada infame.

O homem tem milhões de códigos de honra. Cada um ditando algo que abriremos mão para um bem maior, nosso respeito perante outro. Mas há um deles que é o mais sincero e raro: A ajuda ao próximo. Existem mesmo os que fazem isso por respeito ao próximo, esperando que ele também o faça quando a situação estiver inversa. Mas pouca gente apostaria essa situação mão de outro. Sobraria então o pensamento de Otto como sincero: sentia, naquele instante, dores que não desejava a outros, e lembrou que pelo mesmo caminho que o seu, viera uma bela moça. Não enfrentaria mais seus medos, já tinha ganhado a batalha quando os descobriu. Era hora de salvar quem não sabia nem onde estava, e então correu em direção ao horizonte, onde outrora brilhava escuro.

Passou então a madrugada toda a correr. E, ao chegar ao horizonte, de um lado viu Luiza enfrentando serpentes gigantes e de volta, os grandes pilares. Teria a maior dúvida de momento que o bateu: se ali ficaria eternamente seus temores, recomendaria ninguém passar por ali ou ninguém decidir entrar nesse paraíso aos olhos cegos?

Continuou a correr em direção a Luiza, e batendo com suas mãos, começara a espantar cobra por cobra. Dentro de seu pesadelo, tentava salvar ela de seus próprios temores. Era um pesadelo de pesadelo até as cobras gigantes encolherem, e sumirem totalmente. Abraçou sua companheira, que apesar de não se conhecerem, ali era um mundo de amigos desconhecidos. Sempre será. Poderíamos ser felizes se o mundo tivesse só alguns quilômetros, se todos sorrissem, se todos se amassem e tivessem os mesmo objetivos no mundo. Mas também poderíamos ser ignorantes de verdade. E se a felicidade está, em meu pensamento, ligada à verdade... Seriamos nós felizes por quanto tempo com a mentira?

_Descubra, Luiza. Experiências são para vida toda, sentimentos são conquistados. Não existe felicidade ingerida.

4 comentários:

Kamylla disse...

"E se a felicidade está, em meu pensamento, ligada à verdade... Seriamos nós felizes por quanto tempo com a mentira?"


"A arte existe para que a verdade não nos destrua" - Nietszche

Será mesmo que a felicidade esta ligada a verdade? Conheço pessoas que são mais felizes quando fogem da verdade do que quando encaram de frente o real...

Mas aí também cabe a pergunta "será essa felicidade que eles buscam tão fascinante que não os permitem ver a beleza na realidade?"
há beleza na realidade, uma beleza cruel de certo modo... Acho que por isso todos fogem dela...
O importante no final é encarar a verdade e aprender com tudo isso...

(fugi do conto um pouco né? rs...)

Bjs :*

pietro disse...

E porque não existiria?
acredito que felicidade seja momentanea, assim pode ser feita por você e ser ingirida também.


afinal de contas felicidade não é um fim, acredito que seja um caminho, mas ha falsa felicidade...chamada de ilusão, essa sim é ingerida!

Vinny disse...

presumo que a felicidade enlatada não é a tal felicidade e sim um simples devaneio conquista dentre sofrimentos e desespero.

fabuloso o conto!

Natália disse...

Nando, ameeei!!!
Eu te aconselho a ler Escritores Criativos e Devaneios, do Freud...
Tem muuuuito a ver com esse conto! Fala sobre as fantasias q a gente cria pra corrigir nossa realidade insatisfatória...
Eu vou imprimir pra mostrar pra minha professora de filosia, tá?!
Te amooo xuxu^^
Tô muuuito orgulhosa do meu amiguinho meeega inteligente!!!